O que é EUCARISTIA?

Última ceia, Tintoretto
Eucaristia, conhecida no meio evangélico com Santa Ceia ou comunhão, é um sacramento reconhecido e praticado por católicos, protestantes e ortodoxos em todo o mundo. Sua origem remonta à Ceia Pascal, data em que os judeus celebram a libertação da
escravidão egípcia para a liberdade da Terra Prometida. Esta ceia tem por finalidade relembrar aquele momento de grande apreensão e fé, através de uma refeição rápida, feita com roupas de viagem, como quem está saindo às pressas. Pão não fermentado, um cordeiro sem defeitos, assado inteiro sobre brasas e ingestão de ervas amargas para enfatizar a amargura do cativeiro, com um detalhe: nada pode sobrar para o dia seguinte. É realizada apenas uma vez por ano, durante sete dias e não assinala o início do ano deste calendário, como muitos pensam. Quanto à raiz da palavra páscoa há controvérsias. Alguns a traduzem por passagem ou fuga, mas outros a relacionam ao ato de pular ou mesmo claudicar, significando que o anjo da morte pulou ou não visitou a casa dos hebreus que pintaram seus umbrais com o sangue do cordeiro, quando aconteceu a praga da morte dos primogênitos. Na tradição pagã, que é anterior a dos judeus, assinalava a passagem do sol sobre a constelação de Capricórnio ou da Lua pelo seu ponto mais alto.

Embora o ritual instituído por Jesus tenha diferenças claras e propósitos distintos, ele foi celebrado pela primeira vez na última Páscoa judaica que Jesus celebrou com os seus discípulos, e praticamente nenhuma relação tinha com ela, nem no sentido e nem nos elementos. O dia da semana não pode ser precisado devido à variedade de calendários vigentes na época. Nem mesmo os evangelhos tem consenso sobre o dia em que Jesus celebrou este rito. Para o calendário essênio ocorreu numa terça feira, para João numa quinta e para os sinóticos na sexta. Apesar se ser também uma celebração em memória, não faz alusão apenas a um fato ocorrido no passado, mas à memória de quem está presente no simbolismo do pão e do vinho. Contudo, possa à primeira vista parecer um ritual semelhante, ela tem profundas diferenças no que representa para os católicos e ortodoxos e no que representa para os protestantes, simplesmente por causa de um dogma. Para os católicos e ortodoxos na consagração dos elementos da ceia acontece a transubstanciação, ou seja, o pão se transforma de fato no corpo de Cristo e o vinho no seu sangue. Para os cristãos reformados e para aqueles que seguem as tradições da Reforma Protestante, tanto o pão quanto o vinho são apenas simbolismos destes elementos.

Não é objetivo desta postagem, muito menos desse blog discutir essa milenar questão, portanto, vamos nos ater ao que é do senso comum neste sacramento. Em primeiro lugar ele não é uma sugestão ou recomendação, é uma imposição. Jesus disse comam e bebam. Apenas isto já foi suficiente para que muitos cristãos fossem condenados às arenas romanas. Na igreja primitiva ele era servido apenas aos iniciados ou batizados, o que levou a população a crer que praticavam ritos canibalescos, pois se reuniam secretamente para comer o corpo e beber o sangue de um tal Jesus.

Fora do contexto judaizante da igreja de Jerusalém e as igrejas por ela administradas, não encontramos esse rigor. O apóstolo Paulo às suas igrejas de predominância gentílica faz somente uma restrição ao seu acesso: que a pessoa tome consciência do ato que está praticando, pois bem disse ele: Aquele que come o corpo e bebe o sangue de Jesus sem discernimento, come e bebe a sua condenação, pois se torna réu neste sacrifício. Isto muitas vezes é confundido com estar devidamente habilitado a participar dela, o que é um erro nefasto. A ceia não é uma ocasião para os que possuem uma conduta reta propagarem a sua retidão. Pelo contrário, ela é a confissão mais humilde do miserável pecador que encontra nela uma nova chance para recomeçar.

Este é um memorial que se fundamenta na saudade. Saudade de quem está presente, mas não completamente. Saudade de um coração que almeja estar em comunhão com o seu criador, mas que para isso necessita frequentemente desta intermediação, pois a ceia, como disse Wesley, é um dos principais canais por onde Deus nos comunica as suas bênçãos.

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